Aqueles sobre Fontes de Informação II
- março 27, 2026
- Por Mariana Canto
- 0 Comentários

Aprender sobre ISBD é bem divertido, finalmente pudemos entrar na parte mais prática da Biblioteconomia e aqui já podemos deslumbrar alguns passos da jornada do bibliotecário. A ISBD é uma norma importantíssima para o serviço de representação.
Em 1969, Michael Gorman, especialista em catalogação, apresenta na reunião internacional de especialistas em Catalogação, realizada em Copenhague, o documento básico denominado Internacional Standard Bibliographic Description (ISBD) que viria padronizar as informações contidas na descrição Bibliográfica.
A ISBD é uma norma criada para padronizar a descrição bibliográfica de documentos. Antes de sua existência, as descrições eram feitas com base nos elementos da página de rosto, que variavam muito de um documento para outro, tornando difícil a padronização.
Para resolver essa questão, a IFLA (Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias), em parceria com a UNESCO, realizou um estudo sobre como as bibliotecas nacionais faziam suas descrições bibliográficas. Gorman conduziu esse estudo e apresentou os resultados aos especialistas em catalogação. Ele identificou padrões e similaridades nas descrições existentes e, em 1971, propôs o agrupamento das informações em oito áreas descritivas.
Em 2009, foi criada a Área Zero, e em 2011 a ISBD Consolidada foi publicada, unificando todas as versões anteriores do ISBD.
Cada área da ISBD é destinada a uma parte específica do item bibliográfico:
Cada área tem sua própria fonte de informação. Por exemplo, os dados da Área 1 são retirados da folha de rosto do documento.
Bem, enquanto estávamos focados na ISBD, tudo parecia tranquilo. Por ser um modelo de descrição — base para a elaboração das fichas catalográficas —, nosso foco era realizar os exercícios propostos pelo professor.
Até a primeira prova, passamos um bom tempo apenas praticando descrições. E foi realmente divertido, porque usávamos nossos próprios livros para desenvolver as atividades. Fiz, inclusive, alguns exercícios de preenchimento on-line que me ajudaram bastante a entender e lembrar o que deveria constar em cada área, além de como aplicar corretamente as pontuações.
O objetivo da ISBD é justamente esse: garantir que, mesmo que você esteja em contato com um item em outro idioma, consiga compreender sua estrutura. Através da pontuação padronizada, é possível identificar o que é o título, o autor, a edição e outras informações essenciais — independentemente da língua em que o documento foi publicado.
Nota-se, também, que a pontuação prescrita na ISBD funciona como um código linguístico, interpretável em si mesmo. Ao visualizar a Figura 02 e, embora não dominando o idioma japonês, pode-se identificar pela posição e pontuação, alguns dados bibliográficos. (José Fernando Modesto da Silva, 2016, p.154)
Bem, depois disso tudo, entraremos nos códigos de catalogação e nos modelos conceituais, aí sim, como dizemos no bom carioquês: a parada começa ficar sinixxxtra!
Pra treinar um pouquinho do que aprendi com esse conteúdo montei alguns exercícios que você pode realizar na página pra aprender direitinho: aquele sobre ISBD.
Isso é tudo pessoal! ✌🏾️
————————
📚 Fontes e leituras complementares:
MODESTO, Fernando. A ISBD: um instrumento de representação descritiva em evolução. Tópicos para o ensino de biblioteconomia: volume I. São Paulo: ECA-USP, 2016. p. 190. Disponível em: https://www.eca.usp.br/acervo/producao-academica/002749752.pdf. Acesso em: 18 set. 2025.
Um livro muito popular sobre catalogação dentro da área da Biblioteconomia é “Não brigue com a catalogação”, da Eliane Mey. No 2º período da graduação em Biblioteconomia na UFF, temos a disciplina Instrumentos de Representação Descritiva (IRDI), lecionada pelo professor Vinícius Tolentino (UniRio) e pela tutora Patrícia Gross. Sempre que um deles citava esse livro, eu pensava:
— “Gente, por que eu brigaria com a catalogação?”
(hahaha… eu realmente não imaginava o que estava por vir!)
Toda a turma estava cheia de expectativas, já que essa é uma das matérias em que começamos a ver a Biblioteconomia mais na prática. Nela, aprendemos sobre catalogação, os objetivos do catálogo e um pouco do histórico dessa prática.
Um dos primeiros registros de catalogação vem dos Pinakes (tábuas), um catálogo elaborado por Calímaco, no século III a.C., considerado um dos primeiros instrumentos de representação da informação. Esse catálogo listava autores em ordem alfabética e trazia breves biografias sobre cada um.
Durante a Idade Média, as bibliotecas estavam ligadas às ordens religiosas. Cada mosteiro mantinha seu próprio sistema de organização. Nessa época, os códices — manuscritos escritos em blocos de madeira (daí o termo latino codex, “livro” ou “bloco de madeira”) — substituíram os antigos pergaminhos.
Do século XV ao XVIII, com o advento da imprensa, a catalogação avançou muito. Surgiram exemplos como o catálogo de Amplonius Ratink, elaborado em 1410 e 1412 em Burca, e a bibliografia de Johan Tritheim, organizada de forma cronológica.
No século XVI, o bibliógrafo Konrad Gessner produziu uma obra fundamental, e em 1595 o livreiro inglês Andrew Maunsell organizou seu catálogo com base nos sobrenomes dos autores.
A partir do século XIX, surgem os grandes nomes da catalogação moderna.
Apesar desses avanços, o Brasil nunca teve um código nacional de catalogação. Um dos primeiros a ser usado por aqui foi o Código da Vaticana, amplamente aceito à época.
O Código da Vaticana baseou-se no Código da ALA (American Library Association) de 1908. Ele é dividido em quatro partes, abordando regras para entradas e catalogação descritiva, além de regras relativas à redação de cabeçalhos de assunto e arquivamento de fichas, o que o diferenciava de outros códigos. Exerceu grande influência na biblioteconomia brasileira a partir de 1940, sendo adotado por inúmeras bibliotecas. Ele foi traduzido para o português em duas edições, publicadas em 1949 e 1962. (BARBOSA, 1979, p. 40 apud ALBUQUERQUE, 2018, p. 35)
Em 1969, o AACR (Código de Catalogação Anglo-Americano) foi editado no Brasil, e em 1978 ganhou sua segunda edição, o AACR2, que passou a ser adotado em todas as escolas de Biblioteconomia e ajudou a extinguir a diversidade de códigos de ensino.
Um catálogo cumpre bem sua função quando apresenta:
"A informação constitui-se em dados trabalhados, processados, os quais pretendem atingir determinado propósito. Já, a comunicação, trata do processo de transmissão da informação entre os agentes envolvidos (emissor e receptor da mensagem) [...] Ou seja, não há informação se essa não for comunicada adequadamente. Comunicar uma informação significa perceber que o destinatário da mensagem entendeu a mensagem com a mesma fidelidade que o emissor o fez." (ARAÚJO, 2018, p. 16).
Começamos a unidade revisitando a já conhecida Teoria Matemática da Comunicação — vista de forma introdutória em Tecnologias da Informação e Comunicação. Essa teoria, desenvolvida pelos matemáticos Claude Elwood Shannon e Warren Weaver, tinha como objetivo solucionar problemas de otimização no custo da transmissão de sinais.
Segundo os autores, a comunicação envolve três níveis de problemas:
01. TÉCNICOS: ligados ao transporte físico da mensagem;
02. SEMÂNTICOS: relacionados à atribuição de significados;
03. PRAGMÁTICOS: referentes à eficácia da comunicação.
Após as definições mais técnicas, os significados de informação e comunicação são aprofundados. A partir dos paradigmas de Capurro, apresentados por Araújo, o autor explica que:
“Para um dado (matéria-prima da informação) se tornar informação, ele precisa ter significado e, para isso, estar subordinado ao contexto específico de sua criação [...]” (ARAÚJO, 2018, p. 21).
Essa definição evidencia que dado, informação e conhecimento não são a mesma coisa, ainda que se complementem. O dado é apenas um registro bruto; a informação surge quando esse registro adquire sentido dentro de um contexto; o conhecimento, por sua vez, corresponde à capacidade de reter e elaborar a informação, transformando-a em compreensão. Embora apresente diferentes conceitos, Araújo decide aprofundar especialmente a perspectiva de Capurro.
Rafael Capurro reconhece a existência de três paradigmas da informação, são eles:
01. PARADIGMA FÍSICO: está associado à transmissão de sinais em um contexto comunicacional entre emissor e receptor. (bem ligado a TMI)
OS PARADIGMAS RESUMIDOS DE FORMA RÁPIDA:
"Os sistemas formal e informal servem a fins distintos quanto à operacionalização das pesquisas. Ambos são indispensáveis à comunicabilidade da produção científica, mas são utilizados em momentos diversos e obedecem a cronologias diferenciadas."
ARAÚJO, André Vieira de Freitas. Informação, comunicação e documento. Brasília, DF: CAPES: UAB; Rio de Janeiro, RJ: Departamento de Biblioteconomia, FAAC/UFRJ, 2018.
Ambientes, serviços e sistemas informacionais é uma das disciplinas do 2º período de Biblioteconomia na UFF. Ela tem sido ministrada pelo professor Sérgio Martins e pelo tutor Dempsey Bragante. O objetivo é nos ensinar a enxergar os ambientes informacionais de forma sistematizada.
Em resumo, a disciplina mostra como diferentes tipos de usuários demandam diferentes serviços e ambientes informacionais. A partir disso, buscamos compreender como esses ambientes são organizados. Numa biblioteca, por exemplo, nada está disposto de forma aleatória — aí já entram a 2ª e a 3ª lei de Ranganathan: "cada leitor o seu livro" e "cada livro o seu leitor". Em outras palavras, a informação é pensada para chegar ao seu público, e o usuário encontra o que precisa (um bom ambiente informacional faz esse match acontecer).
Outro ponto importante é o fluxo informacional, que envolve as etapas de coletar, armazenar, processar e transferir informações, ocorrendo em diferentes níveis organizacionais: estratégico, tático e operacional. Entender esse processo é compreender como a informação percorre todo o caminho até seu destino final.
Também estudamos os diferentes tipos de bibliotecas e seus objetivos. Apesar de todas compartilharem funções em comum — como formar cidadãos, incentivar a leitura e apoiar o aprendizado ao longo da vida — cada tipo tem finalidades específicas ligadas à sua comunidade, temática ou local de atuação:
O que mais gosto nessa disciplina é a forma como os professores ampliam nosso olhar sobre a biblioteca — não apenas como um lugar de livros, mas como um espaço vivo, plural e de encontros. E também desconstruímos aquele estereótipo do bibliotecário como a pessoa que só pede silêncio.
📚 Fontes e leituras complementares:
MARTINS, Sérgio; BRAGANTE, Dempsey. Ambientes, serviços e sistemas informacionais. Notas de aula da disciplina do 2º período de Biblioteconomia. Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2025.
RANGANATHAN, Shiyali Ramamrita. As cinco leis da biblioteconomia. Brasília: Briquet de Lemos, 2009.
OLIVEIRA, Maria Clara; SOUZA, Renato. Tipologias de bibliotecas no Brasil: funções e desafios. Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação, São Paulo, v. 17, n. 1, p. 55-70, 2021.
UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE. Curso de Biblioteconomia – Grade curricular. Disponível em: https://www.uff.br. Acesso em: 9 set. 2025.